Moby Dick e a Filosofia

Trechos que envolvem a filosofia na obra Moby Dick.

MELVILLE, HERMAN (1819-1891)
MOBY DICK OU A BALEIA = MOBY DICK OR THE WHALE/ HERMAN MELVILLE;
[TRADUÇÃO E NOTAS VERA SILVIA CAMARGO GUARNIERI] - SÃO PAULO: EDITORA LANDMARK, 2012.

"Com certeza, isso era um toque de fina filosofia, mesmo que, sem dúvida, jamais tivesse ouvido nada semelhante. Para sermos verdadeiros filósofos, nós, mortais, talvez não devêssemos ter consciência dessa condição nem necessitássemos nos esforçar para consegui-la. Quando ouço que este ou aquele homem se considera filósofo concluo que, como uma velha mulher dispéptica, ele deve ter 'quebrado seu aparelho digestório'." pag. 40.

"É comum os capitães desses navios contratarem jovens filósofos contemplativos para a tarefa e depois repreendê-los por não demonstrarem suficiente "interesse" na viagem, insinuando que têm tão pouca ambição honrada que no recesso de sua alma prefeririam não ver baleia alguma. Mas é tudo em vão. Esses jovens Platonistas se convencem de que sua visão é imperfeita - são míopes -  então por que forçar o nervo ótico? Seus binóculos de teatro ficaram em casa." pag. 96.

"Se fôsseis filósofos sentados em um bote baleeiro não sentiríeis nem uma pitada a mais de terror do que se estivésseis sentados diante da lareira durante um belo crepúsculo, com um atiçador ao vosso lado, não um arpão." pag. 162.

"Não vos parece que toda essa cabeça parece falar de uma resolução prática e imensa de enfrentar a morte? Parece-me que essa baleia real simboliza um estoico enquanto que o cachalote seria um platônico que nos últimos anos de vida poderia ter adotado Espinosa." pag. 189.

"Mas aquele que evita hospitais e prisões, apressa-se ao atravessar cemitérios e prefere conversar sobre óperas que sobre o inferno, que se chama Cowper, Young, Pascal, Rousseau, todos pobres diabos doentes, e que durante toda sua vida jura por Rebelais que é sábio, portanto espirituoso, não é digno de assentar-se sobre as pedras de um túmulo e romper o humo verde e úmido com o enigmático e magnífico Salomão." pag. 235.

Sugestões de temas e conteúdos para letramento racial

 Para assistir:

“A diferença de riqueza entre brancos e negros” – Explicando, Temporada 1, Episódio 3 (Netflix)

Este episódio investiga como a escravidão, as leis segregacionistas e as políticas econômicas historicamente excludentes contribuíram para a profunda desigualdade de riqueza entre brancos e negros nos Estados Unidos. Com dados, entrevistas e recursos visuais claros, o documentário mostra que o abismo econômico não é fruto apenas de escolhas individuais, mas de um sistema que por séculos impediu que a população negra acumulasse patrimônio. A reflexão que propõe vai além do contexto americano, levantando questões relevantes sobre racismo estrutural e justiça social.

“A Grande Vingança” – Atlanta, Temporada 3, Episódio 4

Neste episódio, seguimos Marshall, um homem branco de classe média que vê sua vida virar de cabeça para baixo quando uma mulher negra entra com um processo judicial contra ele, exigindo reparação financeira por seus ancestrais terem sido escravizados pelos antepassados de Marshall. A situação se espalha, e outros brancos começam a ser cobrados por vínculos familiares com a escravidão. Com uma abordagem satírica o episódio provoca reflexões sobre as consequências históricas da escravidão e a ideia de reparações raciais no presente.

“Rich Wigga, Poor Wigga” – Atlanta, Temporada 3, Episódio 9

Este episódio, filmado em preto e branco, acompanha Aaron, um adolescente de ascendência negra que sonha entrar em uma universidade, mas não tem condições financeiras. Quando a escola oferece uma bolsa exclusiva para estudantes negros, ele tenta provar que é "negro o suficiente" para se beneficiar da política. A narrativa satírica e provocadora mostra como o racismo e a identidade racial são construções sociais complexas.


Para ler:

A reportagem da BBC, intitulada Os dilemas dos pardos, maior grupo étnico-racial do Brasil segundo Censo 2022, aborda o dilema enfrentado por brasileiros que se declaram “pardos”. Destaca que, embora os pardos representam a maior parte da população (cerca de 45%), essa categoria possui uma identidade ambígua: muitos se veem como fruto da miscigenação, mas não se encaixam completamente nas identidades "branca" ou "negra". A matéria mostra tensão entre quem defende uma identidade específica — como movimentos pardos/mestiços — e a definição legal de “negro”, que inclui pretos e pardos para fins de políticas públicas, mas que nem sempre reflete as percepções individuais.

https://www.bbc.com/portuguese/articles/czkj31p8n20o

O que se perguntar após a leitura?

  1. Se a categoria "pardo" representa quase metade da população brasileira, por que ela continua sendo tratada como uma identidade secundária ou "provisória"?

  2. Será que incluir automaticamente os pardos na categoria “negro” para efeito de cotas e políticas públicas ignora experiências distintas de racismo e pertencimento?

  3. O discurso da miscigenação brasileira é uma forma de celebrar a diversidade — ou uma estratégia histórica para esconder o racismo e evitar reparações reais?

  4. Existe espaço, no debate racial brasileiro, para alguém afirmar uma identidade mestiça sem ser pressionado a se encaixar no rótulo de branco ou negro?


Para discutirmos:

O cancelamento de palavras e a proliferação das falsas etimologias:

Nos últimos anos, discussões sobre racismo linguístico e o uso de palavras com origem discriminatória ganharam destaque. Expressões como “denegrir”, “feito nas coxas” ou “mulata” passaram a ser questionadas — algumas com justificativa histórica, outras baseadas em falsas etimologias que se espalham sem verificação. Em meio ao avanço do letramento racial, surge também o risco de se combater o racismo com informações imprecisas.

https://www.terra.com.br/nos/40-expressoes-racistas-para-excluir-do-vocabulario,b8ae7aa047b1786a233616add2157af98tynnmo9.html

https://super.abril.com.br/ciencia/a-polemica-do-cancelamento-de-palavras-2/

Um exemplo disso é a popularização da origem das bonecas Abayomi. Circula nas redes sociais a ideia de que elas foram criadas por mães negras durante os navios negreiros, como forma de acalmar seus filhos no cativeiro. Embora essa narrativa tenha apelo emocional, não há registros históricos que comprovem essa origem. A versão atual da boneca foi criada por Lenise Ribeiro, no século XX, como símbolo da resistência afro-brasileira — o que não tira seu valor cultural, mas mostra a importância de distinguir entre história e mito.

https://primeirosnegros.com/abayomi/

A crítica ao “cancelamento de palavras” deve considerar o contexto e o impacto de certos termos, mas também exige responsabilidade com os fatos. Lutar contra o racismo é também combater a desinformação travestida de conscientização.

Exposição sobre o kitsch no MASP

O MASP, em seu novo prédio, apresenta a exposição "Cinco Ensaios sobre o MASP – Histórias do MASP", em cartaz de 28 de março a 3 de agosto de 2025. Dentre os núcleos da mostra, destaca-se uma pequena, mas significativa amostra da histórica exposição de 1984, intitulada "Kitsch: pequeno inventário de um grande mau gosto".